Identificadas
proteínas que tornam o zika letal
Um estudo de pesquisadores da Universidade de Maryland, nos Estados
Unidos, identificou, pela primeira vez, sete proteínas responsáveis por deixar
o vírus zika tão letal. Pouco conhecido da ciência até o fim de 2015, esse
micro-organismo mostrou um potencial extremamente agressivo, causando uma série
de problemas, desde defeitos congênitos a transtornos neurológicos. Contudo,
até agora, não se sabia como os genes do patógeno provocam essas alterações.
“O mecanismo desse vírus tem sido um verdadeiro mistério”, admite o
principal pesquisador, Richard Zhao, professor de patologia da instituição. “Os
resultados nos dão informações cruciais sobre a forma como o zika afeta as
células. Agora, temos algumas pistas realmente valorosas para pesquisas
futuras”, diz Zhao, que publicou o resultado do trabalho na revista Proceedings
of the National Academy of Sciences, a Pnas.
Para testar o vírus, Zhao utilizou uma espécie chamada levedura de
fissão (Schizosaccharomyces pombe), particularmente utilizada para fabricar
cervejas na África, onde ela se origina. Ao longo das décadas, a levedura tem
sido usada para o estudo de mecanismos e comportamentos celulares. Zhao é um
pioneiro na utilização desse modelo para estudar HIV e, por isso, está bastante
familiarizado com ele. “Com o zika, estamos correndo contra o tempo. Então,
perguntei para mim mesmo o que eu poderia fazer para ajudar. Tenho essa forma
muito particular de dissecar o genoma. Por isso, comecei essa nova pesquisa”,
explica.
No primeiro experimento, o pesquisador separou cada uma das 14 proteínas
e pequenos peptídeos do vírus. Então, Zhao expôs as células da levedura de
fissão a cada um desses genes para ver como elas responderiam. Sete das 14
foram danificadas de alguma forma — pararam de crescer, apresentaram alterações
ou morreram.
Zhao continua a trabalhar com o vírus. O próximo passo é entender melhor
como essas sete proteínas funcionam em células humanas. Pode ser que algumas
sejam mais perigosas que outras, ou, talvez, elas ajam em conjunto para afetar
os tecidos. O pesquisador diz que, nesse momento, investiga como o vírus
interage com células de ratos e humanos, para dar seguimento ao estudo.
Fonte: Correio Braziliense
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